A/C Pequeno Princípe - B612
A/C Pequeno Princípe - B612
Nossa, há quanto tempo... Como vão as coisas no seu pequeno planeta? Aqui, no meu, andam imensamente estranhas – muito baobá para pouca flor, se é que você entende meus simbolismos...
Quem sempre fala de você é aquele menino pequeno e mimado que vivia chorando por sua causa, lembra? Ele me contou da sua amizade com a Raposa.
Príncipe, como você é meu amigo de infância, não posso deixar de alertá-lo. Cuidado com a Raposa. Ela parece uma coisa, mas é outra. Faz-se de fofa e é uma cobra, uma manipuladora.
Quando a conheci, ela disse que não podia conversar comigo, pois não sabia quem eu era. “A gente só conhece bem as coisas que cativou”, ela falou, toda insinuante. Então me apaixonei por ela também... sentia-me cativado por seu discurso e a todos espalhei essa mentira...Respondi que, se nós dois nos cativássemos, ela ficaria triste quando eu fosse embora. Foi quando saquei que ela queria ter um cacho comigo, pois a Raposa pegou no meu cabelo e disse que tudo bem, porque ela olharia os campos de trigo e se lembraria de mim...
Marcamos um encontro para às 6. para organizar esse processo de cativar "instalado". Mas ela simplesmente foi embora, sem esperar o momento do nosso encontro. Achei estranho, mas pensei que fosse charme. Não era.Ate que a Raposa surtou. E perguntou para mim, se eu tinha consciência de que “perder tempo” com o outro é o que faz essa história impossivel...
god...Percebeu o tom da manipulacao?
Ela joga na cara tudo o que faz em nome do outro.
Ela deseja afeto, mas o quer como uma responsabilidade de mão única. Porém, também somos responsáveis quando nos deixamos cativar – relacionamentos são vias de mão dupla.
A Raposa exige a certeza de um compromisso com hora marcada, impondo regras à troca afetiva. As regras dela, claro, já que ela quer todo o afeto a favor de seu bem-estar.
Chega a ponto de dizer que será feliz porque você virá ou nao vira, ou sera ou nao sera. Como se a felicidade fosse algo condicionado ao outro, à espera do outro, ao encontro com o outro...
Veja que coisa infantil. São as crianças que precisam de horários certinhos e de associar suas emoções às pessoas com quem se relacionam. Sentindo prazer ou desprazer diante da ausência ou presença da mãe ou do pai ou de quem quer que seja. Ou so percebendo o tamanho da culpa, depois que ja fez o errado. Nao tem maturidade para pesar as coisas antes, porque é infantil e age por impulso. Na criança, ainda não há um universo interior, entendeu?
Quando nós crescemos, temos de conseguir ver o mundo através das próprias perspectivas. Enxergar a beleza de um trigal sem nos lembrar de ninguém.
Sabe Pequeno... aprendi muitas coisas com você, e começo a entender outras tantas também... não fostes cruel ao partir deixando essa rapoza por aqui... entendo porque partistes sem dó, indo de encontro ao que era sua missão.
Há vezes que nos apaixonamos e... seguimos enfrente.
A Raposa, como uma criança assustada, quer que aqueles que a amam estejam com ela na hora em que ela deseja (mesmo sem saber porque deseja..rs).
Desde esse dia, não falo mais com ela. E aconselho você a fazer o mesmo, pequeno princípe.
Saudades distantes...










